
quinta-feira, julho 13, 2006
Presentinhos para a Alma

Affonsinho,Só pra dizer que (...)
O pessoal está adorando Vagalumes, Nuvens, borboletas....enfim, esse mundo mágico desse cara idem chamado Affonsinho.
Abração,
Bob (Bob Tostes, da Guarani FM)
quarta-feira, julho 12, 2006
Beleza Pura
Do que um disco precisa para ser ‘belê’? A melhor maneira de responder é se ligar no som bom de se ouvir de Affonsinho, este sempre jovem artista que vem construindo sem pressa uma trajetória original e consistente para sua arte.Em Belê, Affonsinho se despede do seresteiro que interpretou na minissérie JK da TV Globo e retoma seu estilo melódico, pop e suingado. Aquele professor de guitarra de Samuel Rosa (Skank), fundador da banda Hanoi Hanoi, dá lugar ao excelente violonista, discípulo de João Gilberto, mas não abre mão do espírito do rock e dos solos de guitarra. Sua maneira de cantar é suave, suas harmonias fiéis à sofisticação da escola mineira da bossa nova, suas melodias muito inspiradas, mas nada é meloso ou passadista. sábado, julho 08, 2006
O CHUCK BERRY DO SAMBA

John Lennon, em uma de suas inúmeras e polêmicas entrevistas, deixou no ar a seguinte frase :
- "se tivessem que dar um outro nome para o rock'n roll acho que deveria ser : Chuck Berry.
Concordo totalmente. Tive a sorte de assistir ao show de Berry, o mito, aqui mesmo em Belo Horizonte, na primeira fila, há alguns anos. Quem perdeu, perdeu. Foi fabuloso !
Muita gente sabe que o rock'n roll já havia sido descoberto por uma certa turminha, antes dos brancos, da mesma forma que o Brasil já era bem vivo antes dos portuguêses. Chuck, realmente, foi o grande poeta do rock. O criador dos famosos riffs de guitarra que influenciaram mais de meio mundo. Uma espécie de professor dos próprios Beatles, Stones, Dylan, e até mesmo de Caetano e Gil, que receberam valiosos toques do grande letrista.
Também já ouvi dizer que o rock não é somente música : é atitude. Então tá. Temos aqui uma espécie de Chuck Berry, só que de um jeito diferente, tropical, manhoso, repleto de balanço e que, mesmo sendo de um dos poucos países onde o idioma é o português, transformou os rumos da música mundial, com seu jeito único de fazer arte.
Escreveu pouquíssimas canções, mas gravou várias e deu a elas a novidade necessária para que chegassem ao outro lado do planeta causando impacto. No princípio poucos o compreendiam e até hoje muitos no Brasil ainda ficam meio assim, sem saber direito se o cara é bom mesmo ou se é pura invenção da mídia. Da mídia não, porque ela fala quase nada sobre ele. Alguns artistas e poucos críticos musicais são seus grandes "compreendedores".
Nas últimas décadas, muito daquela atitude do rock'n roll foi trocada por cabelinhos, roupinhas e pelos popezinhos descartáveis das Patys e Mauricinhos das Beverly Hills do Brasil. Ainda bem que o Cazuza deixou a frase : "Ideologia, eu quero uma pra viver." Apesar de tudo, ainda conseguimos encontrar poucas, mas boas bandas, cheias de atitude por aí. Nem sempre na mídia, mas zanzando pelos pequenos palcos e - insistindo em mudar o mundo !
Interessei-me pela música por causa do rock'n roll, num tempo em que praticamente só existiam professores eruditos em Belo Horizonte. Tínhamos que adivinhar, da primeira fila do Teatro Francisco Nunes, o que faziam os dedos dos músicos dos Mutantes, do Terço e do Tutty Frutty. Esperávamos a parte final do show, quando algumas poucas pessoas se levantavam e iam dançar lá na frente. Então chegávamos mais perto e fotografávamos, com os olhos, as frases de guitarra que tentávamos reproduzir em casa, em cima dos LPs. Era pura adivinhação ! Nunca vou me esquecer da noite em que ví o Pardal, guitarrista da banda Saecula Saeculorum, (que se transformaria mais tarde no Sagrado Coração da Terra), fazendo o vibrato com o dedo, sem usar a alavanca. Para mim foi pura mágica !
E alguns artistas são realmente mágicos. O Chuck brasileiro é um desses. Foi abençoado diretamente pelos anjos, mas deve ter gasto inúmeras horas trabalhando as mãos para alcançar o Paraíso de ritmos que inventa em cada acorde. Sim, porque o dom não foi dado a ele de bandeja. Descobriu o segredo depois de muita transpiração. Suou a camisa em vários lugares do Brasil antes de fazer bonito. Depois correu o mundo, plantou sementes e impressionou artistas de renome. Recentemente, até mesmo o deus do Blues, Eric Clapton, se curvou ao seu talento e virou um de seus maiores fãs.
E o nosso Chuck continua balançando a Europa, o Japão e muitos outros cantos. Chamado de louco, esquisito e outras bobagens, mas fazendo uma música ao mesmo tempo simples e sofisticadíssima, totalmente única, e cantando um Brasil que sentimos orgulho por vê-lo revelado. Teve o privilégio de encontrar, como parceiro, um dos maiores compositores populares do século, juntamente com Cole Porter, os irmãos Gershwin e Lennon e McCartney. O maestro que conseguiu, como ninguém, escrever obras elaboradíssimas, mas com toda a pinta de suaves canções populares. Então não deu outra : inventaram a Bossa Nova. Tom Jobim criando as melodias e João Gilberto, o nosso Chuck, descobrindo a fabulosa batida que até hoje ninguém faz.
Não temos um Lennon brasileiro, mas acredito que, se tivéssemos, sua opinião seria idêntica à do inglês :
- Um novo nome para o samba ? - com certeza : João Gilberto ! Ninguém consegue fazer daquele jeito, com aquela atitude .
E, pelo que parece, o homem ainda vai ser moderno - de verdade !- por muito tempo !
Ah, mas o Brasil ...
segunda-feira, julho 03, 2006
Reprise da Entrevista de Affonsinho...
sábado, julho 01, 2006
TUDO DE BOM...
A apresentadora, Bianca Lage, entrevistou Affonsinho em seu programa - TUDO DE BOM, na TV Bandeirantes, no dia 28/06.
Exibição: Segunda à Sexta - Horário: 14h05
quinta-feira, junho 29, 2006
Sintonia Fina...
O produtor e crítico musical Nelson Motta, publicou em seu site:
http://sintoniafina.uol.com.br/
"O mineiro Affonsinho, que foi guitarrista do lendário grupo carioca Hanoi Hanoi nos anos 80, depois foi professor de violão do iniciante Samuel Rosa, é um caso típico de florescimento tardio, que apesar de seu grande talento de compositor e violonista só teve oportunidades de gravar nos últimos anos, graças ao chiquérrimo selo Dubas e ao ouvido fino de Ronaldo Bastos. O primeiro era lindo, o segundo que está saindo agora também é ótimo, cheio de boas canções, uma maioria entre o samba e a bossa nova, como essa gostosura de Gamado pelo Samba, com o auxílio luxuoso de Sandra de Sá em sua melhor forma".
O GLOBO - Rio, 29 de junho de 2006
Com esse passado, qual o trajeto para hoje ele chegar a lapidadas pedras pop-bossa-novistas como “Nuvem boa”, “Aquela bossa axé” (esta com letra de Ronaldo Bastos, também um dos produtores do CD), “Belê”, “Borboletou” e “Gamado pelo samba” (num dueto com Sandra de Sá)?
— Talvez a gente tenha que voltar ainda mais no tempo — responde Affonso Heliodoro dos Santos Junior, lembrando que, aos 6 anos, já era vidrado nos LPs de Nat King Cole de seu pai. — O meu canto suave vem daí. Depois descobri os Beatles, assisti umas 15 vezes a “Help”, e Lennon foi o meu primeiro herói, antes de Super-Homem e Batman.
Músico viveu entre Belo Horizonte e Rio
Na adolescência, Affonsinho mergulhou fundo no rock e no blues de Led Zeppelin e Jimi Hendrix, mas, graças a um irmão mais velho, também ouvia João Gilberto e era ligada nas letras e nas canções de Caetano, Chico, Gil e Milton.
Vivendo entre Belo Horizonte e o Rio — onde chegou aos 3 meses, voltando para a cidade natal no início da adolescência — Affonsinho teve como primeiro parceiro Chico Amaral, que, na década de 90, consagrar-se-ia como letrista e saxofonista do Skank.
— Entre os roqueiros da nossa turma em Belo Horizonte, ele era o único que também gostava de Caetano — diz. — Na época, início dos anos 80, Amaral começava a trocar a guitarra pelo sax e fizemos nossas primeiras canções.
Repertório que Affonsinho não chegou a exercitar muito. Logo viria para o Rio como guitarrista do Hanoi Hanoi, grupo do baixista Arnaldo Brandão. Em seguida, investiria no blues, fazendo até um show com Cássia Eller, para finalmente, em 1994, estrear solo com o disco “Tudo certo?” — no qual o cantor de enfoque bossa-novista começou a nascer.
— Percebi que minha voz funcionava melhor num formato suave e minhas músicas caminharam nesse sentido. A guitarra ainda tem algo de blues, mas o canto me levou de volta a Nat King Cole, que ouvi na infância — lembra ele, que, há três anos, fez em Belo Horizonte um show com repertório de standards de Cole Porter, Gershwin, Rodgers & Hart e demais cobras da grande canção americana. — Dediquei esse show a meu pai, que estava ali na platéia.
Tal mistura de rock, standards , blues e bossa nova poderia resultar numa versão musical do Monstro de Frankenstein, mas em “Belê” Affonsinho chegou à perfeição. Simbiose que começava a se delinear em seu primeiro CD na Dubas, “Zum zum”, em 2000.
— Em fins dos anos 90, recebi na Dubas um CD demo de Affonsinho e fiquei impressionado com a facilidade dele para fazer canções de qualidade e de forte apelo — comenta Ronaldo Bastos, também compositor de muitas impecáveis pérolas da MPB, em parcerias que vão de Milton Nascimento a Lulu Santos, de Tom Jobim a Ed Motta, de Lô Borges a Celso Fonseca. — E depois de “Zum zum”, ele não parava de mandar novas músicas.
Pós-graduação com obrado Clube da Esquina
Mas, antes de investir em novo disco autoral, Bastos resolveu apostar no intérprete, produzindo os dois volumes de “Esquina de Minas” — os CDs “O som do barzinho. E do Affonsinho” (2002) e “Dois lados da mesma viagem” (2003) — nos quais, em tratamento acústico, Affonsinho mergulhava no rico repertório da geração do Clube da Esquina.
— Esses discos funcionaram como um curso de pós-graduação em composição — diz Affonsinho, que, sem parar de produzir durante esse tempo, contou com Bastos e o co-produtor Leonel Pereda na peneira do repertório agora mostrado em “Belê”.
Na gravação, Affonsinho contou com craques como Alberto Continentino (baixo), Marcelo Costa (bateria), Jorjão Barreto (piano e Fender Rhodes), Sacha Ambak (teclados), Jessé Sadoc (flugelhorn) e Gauguin (violão, este um fiel escudeiro em sua carreira solo). São oito composições dele e ainda achados que vão de um clássico da canção italiana (“Senza fine”, de Gino Paoli) a uma bossa nova do brasileiro, radicado na Espanha, Leo Minax, com letra em português de Jorge Drexler (“Causa e efeito”). Mais que suficiente para fazer de “Belê” um clássico instantâneo da bossa pop. Só falta as rádios cariocas descobrirem essas belezas.
terça-feira, junho 27, 2006
Adquira o seu jornal "O GLOBO", do dia 29/06/06 - Com muitos "BELÊS" de notícias!!!
PODE SER OU TÁ DIFÍCIL ?
O dia inteiro era assim : todo mundo que passava pela mal-humorada senhora tinha que fazer a tradicional perguntinha :
- E aí, dona Didi, pode ser ou tá difícil ?
Mas ela parecia não ligar. Nem sequer olhava. Aliás, só virava o rosto quando precisava atender alguém. Aí sim, dava de ombros com o maior prazer. Alguns diziam que ela já deveria ter se aposentado, que o problema era o cansaço. Mas outros funcionários, mais antigos, afirmavam que o ranzinzar da brava senhora era de outros carnavais, desde os seus tempos de mocinha. E foram colocar a moça justamente no guichê de informações !
Um belo dia de sol, estava eu preenchendo uns formulários no balcão de dona Didi quando surge um rapaz aparentando uns dezoito anos, office-boy de alguma empresa, ainda ganhando mais experiência do que salário. A cena que presenciei nesse momento poderia muito bem fazer parte de um velho programa humorístico de Chico Anísio.
O aprendiz de executivo, ainda meio zonzo com tantos documentos e nomes difíceis de formulários, requerimentos etc. colocou sua pesada mochila sobre o balcão, tirou os headphones do ouvido, desligou o rap que tocava num volume ensurdecedor e deu início a seu inseguro questionário :
- Boa tarde. O que tenho que fazer para dar entrada nestes documentos ?
Dona Didi, em silêncio, mais que apressadamente, jogou algumas folhas sobre a mochila do jovem e aumentou o volume de sua televisãozinha portátil, acomodada sobre um banquinho do lado de dentro do guichê.
O rapaz não entendeu direito, mas deu uma olhadinha nos papéis, na tentativa de captar alguma mensagem. Como ele sabia ler, pude observar uma certa tranquilidade em sua expressão quando identificou as primeiras linhas do formulário. As questões não pareciam tão difíceis. O moço desceu os olhos sobre as letrinhas, mas para não levar bronca do patrão e fazer o serviço direitinho, preferiu resolver suas dúvidas ali mesmo com a responsável pelo setor de informações. E começou :
- Por favor, aqui onde está escrito nome é pra eu colocar o meu nome ou o do chefe ?
Dona Didi fingiu que não era com ela ...
Então o jovem repetiu, um pouquinho mais alto, mas com delicadeza :
- Senhora, onde está escrito ...
A mulher se levantou apressadamente de sua cadeirinha de estofamento já meio esburacado e, olhando para mim, que não tinha nada a ver com a história, quase berrou, já sem uma gota de paciência :
- É, meu filho ! É o nome do requerente ! Por acaso é você o requerente ?!
Virou-se de lado e me colocou novamente na cena :
- Moço, o senhor joga no bicho ? Pode jogar hoje porque vai dar burro !
Olhei para ela assustado e com um sorriso meio sem graça, fingindo não ter entendido a grosseria.
O moço tirou um papelzinho do fundo da mochila e, um pouco atrapalhado, copiou o nome do patrão. Não tinha entendido muito bem a informação da irritada senhora, mas escolheu o nome do mais poderoso, ou seja, o do chefe. E em seguida perguntou novamente :
- Ô dona, aqui no endereço é o mesmo do nome ou é o lá da firma ?
Dona Didi deu uma bufada deixando escapar alguns perdigotos, franziu ainda mais a testa e esbravejou, um pouco mais alto, olhando nos meus olhos :
- Ó, moço, pode ir correndo, viu ? Hoje não tem erro ! Pode apostar no burro que o senhor vai ficar rico !
E falou, já gritando, na orelha do rapaz :
- É sim, meu filho, é o endereço do nome que você já escreveu em cima ! Pelo amor de Deus ...
O humilde rapaz copiou, já meio trêmulo, o endereço do papelzinho. Não perguntou nada sobre o bairro, o cep, a cidade e o estado, talvez com medo que o burro tirasse mesmo a sorte grande naquele dia. Mas quando recebeu o boleto com a marca do banco onde deveria pagar a taxa, como ainda tinha muito serviço naquela tarde ensolarada, resolveu arriscar :
- Esse boleto pode ser pago aqui, com a senhora, ou é só no banco ?
E recebeu :
- Se você quiser me pagar, meu filho, até pode, eu recebo, mas vai ter que ir ao banco, bem depressa, pedir à moça do caixa para trazer o computador dela até aqui. Só assim vou poder te dar o recibo. Alí em cima está escrito o que ? Veja bem : in-for-ma-ções ! Eu lá tenho cara de caixa de banco ?!!!
Fiquei pensando como seriam os rostos dos caixas de banco ...
O moço, coitado, já completamente surrado pelos berros da impaciente informante, não reagiu. Continuou seu trabalho humildemente e com a boca bem fechada. Preferiu correr o risco de errar. Talvez uma bronca do patrão não fosse tão bronca assim como as que estava levando da impiedosa senhora. Terminou o preenchimento dos formulários, entregou-os à dona Didi e já ia embora quando, de repente, voltou-se para mim e sussurou :
- Moço, não joga no burro não. Pode acreditar, hoje vai dar é onça na cabeça ! E daquelas com um dentão de todo tamanho !
Seu Almeida, um funcionário bem antigo que vinha chegando da rua com um cafezinho no copo de plástico, sem saber de nada, perguntou, sorrindo :
- E aí, dona Didi, pode ser ou tá difícil ?
segunda-feira, junho 26, 2006
Gino Paoli
SENZA FINE TU TRASCINI LA NOSTRA VITA
SENZA UN ATTIMO DI RESPIRO
PER SOGNARE, PER POTERE RICORDARE
CIÓ CHE ABBIAMO GIÁ VISSUTO
SENZA FINE, TU SEI UN ATTIMO SENZA FINE
NON HAI IERI, NON HAI DOMANI
TUTTO É ORMAI NELLE TUE MANI
MANI GRANDI, MANI SENZA FINE
NON M'IMPORTA DELLA LUNA
NON M'IMPORTA DELLE STELLE
TU PER ME SEI LUNA E STELLE
TU PER ME SEI SOLE E CIELO
TU PER ME SEI TUTTO QUANTO
TUTTO QUANTO IO VOGLIO AVERE
SENZA FINE
quinta-feira, junho 22, 2006
A COSTUREIRA DE SONHOS por Affonsinho
Ela e minha irmã ficavam horas e horas planejando, trocando idéias, moldando panos e alinhavando casos em volta da mesa grande da sala de jantar. Eu ficava por perto, apenas rodeando, brincando com meu Forte Apache ou assistindo às invenções da dupla Hanna/Barbera, na televisão.
Vibrava com Batefino, Xerife Bing Bing Ricochete, Lipy & Hardy, Maguila Gorila, Walligator, Herculóides, Space Ghost, Thor e tantos outros, além, é claro, do maior de todos : Nacional Kid. Só de vez em quando emprestava um pedacinho de meus ouvidos ao carretel comprido da conversa das moças.
Numa tarde mais que tranquila, durante um cochilo rápido (e bastante oportuno !) de meu anjo da guarda, escutei uma vozinha, acho que no meu ouvido esquerdo, dizendo mais ou menos assim :
- Cê não acha que tá meio chata essa televisão ? E se a gente desse um tempinho e olhasse um pouquinho para aquele outro lado alí ... ?
Senti que era a voz de um outro anjo, também amigo do meu dorminhoco guardião, só que sem aquela seriedade toda dele. Então, naquele momento, algum tipo de encanto invadiu a sala, tomou conta de meus olhos de menino e me levou para uma das boas viagens da vida, daquelas sem volta . . .
Fui transportado para duas belíssimas montanhas lisas e macias, bronzeadas pelo sol, arredondadas, quentinhas e muitíssimo insinuantes : o lindo par de coxas da costureira, amiga de minha irmã. Era eu sendo, forçosamente, apresentado ao desejo . . .
Não me lembro ao certo, mas acredito que depois dessa pequena viagem devo ter voltado para a tela da tv. Os adultos, mesmo os mais avançados, têm certa dificuldade com seus desejos, imaginem uma criança ! Talvez fosse realmente melhor deixar aquilo tudo e voltar para minha colcha de retalhos coloridos . . .
Porém, nas outras visitas da charmosa costureira, vez por outra, o amigo avançado do meu anjo guardião, projetava em minha mente aqueles joelhos tentadores, revestidos pela seda mais macia do mundo e eu só queria admirá-los de novo.
Agora já não tinha mais jeito. Daquele dia em diante, todas as vezes que as sedutoras coxas da costureira desfilassem nas passarelas de minha casa, lá ia eu arranjar algum motivo para ficar por perto. Pegava logo um carrinho e um mapa para as terras distantes da imaginação . . .
Oh, e como era bela a paisagem ! O carrinho viajava longe . . . e o motorista ia aprendendo o que era ter um segredo.
No fundo de minha (quase) pura percepção infantil eu tinha certeza que ninguém desconfiaria de minhas intenções para com as curvas da estrada da moça. Afinal eu era uma criança brincando inocentemente com seu automovelzinho.
No entanto, num dia daqueles bem especiais, ela apareceu lá em casa com uma mini-saia diferente. Talvez estivesse mais moreninha de praia ou a televisão apresentasse alguma programação meio lenta, não sei. Só lembro que foram as três : minha mãe, minha irmã e minha miss para a cozinha, saborear um cheiroso café com biscoitinhos. Então, chamei meu companheiro carrinho e partimos para o mesmo lugar.
A mesa arredondada da cozinha era de um mármore branco e tinha a altura ideal para ser considerada, por mim, uma espécie de ponte, onde meu Rolls Royce se divertia a valer. As três conversavam. Degustavam calmamente seus cafezinhos e biscoitinhos. Debaixo da ponte, eu, dirigindo meu Mustang. Observando, fascinado, a beleza das curvas da estrada de Cecé. Era esse o nome da tão cobiçada musa.
De repente, sem mais nem por que, vejo uma cabeça descendo até debaixo da mesa, sorrindo com ares de deboche e dizendo assim pra mim :
- Êh, Affonsinho, você não é facil, hein ? Já está aí, debaixo da mesa, só pra ficar olhando minhas pernas !
E todas riram um sorriso carinhoso, mas com aquela sabedoria antipática, às vezes, insuportável dos adultos. Simplesmente não acreditei ! As mulheres são fogo mesmo ! Fiquei na maior falta de graça do mundo. Acho que com as bochechas da cor de um tomate. Então, saí de fininho e voltei com meu Mercedes para as entediantes retas do chão de tacos da sala de visitas.
Ah, mas como eram lindas e inesquecíveis as deliciosas curvas da Cecé !
Affonsinho no Rio de Janeiro
terça-feira, junho 20, 2006
Ana Laan
PARA EL DOLOR PROFUNDO, UNA MANO AZUL
QUE TE ACARICIE LAS PENAS Y TE DÉ LUZ
Y TE DÉ LUZ, Y TE DÉ LUZ
Y TE RECUERDE LO HERMOSA QUE ERES TU
PARA LO QUE HAS PERDIDO, MIRADA ROSA
QUE TE DEVUELVA EL HILO Y TE RECOJA
Y TE RECOJA, Y TE RECOJA
Y TE CUIDE Y TE CURE CUANDO ESTÁS ROTA
PARA LA PENA NEGRA, TUS OJOS LIMPIOS
PARA LA ESPERA, UN BUEN SILLÓN
PARA LA SOLEDAD, MUCHA GOZADERA
Y EL BESO DULCE DE ESTA CANCION
PARA LA DUDA OSCURA, UN CLAVO ARDIENDO
QUE ILUMINE LA NOCHE Y MATE EL MIEDO
Y MATE EL MIEDO, Y MATE EL MIEDO
Y SEPARE LO FALSO Y LO VERDADERO ... ( solo )
PARA LA PENA NEGRA . . . etc.
PARA EL DOLOR DEL MUNDO, CUALQUIER COLOR
QUE PINTE A LOS HOMBRES COM MUCHO AMOR
COM MUCHO AMOR, COM MUCHO AMOR
COMO EL Q LLEVAS MUY DENTRO DEL CORAZÓN
PARA LA PENA NEGRA . . . etc.
segunda-feira, junho 19, 2006
Um dos vocais femininos mais suaves da atualidade, inspirados em melodias dos anos 60 e da Bossa-Nova, a cantora espanhola - Ana Laan, escreveu uma cartinha parabenizando Affonsinho, pelo BELÊ e principalmente, por ele ter trabalhado uma de suas canções com maestria - "Para El Dolor".domingo, junho 18, 2006
Baixe agora a música "Nuvem Boa", em MP3!!!
Já está no site da Gravadora Dubas, o BELÊ, logo na primeira página. Você poderá conhecer também, os outros sucessos de Affonsinho. Detalhe, é que alem de conhecer mais sobre o novo sucesso e rever os outros, terá ainda a oportunidade de baixar de graça, em MP3, "Nuvem Boa", que faz parte do repertório de BELÊ. Então, corre lá.... http://www.dubas.com.br/
"Em Belê, Affonsinho se despede do seresteiro que interpretou na minissérie JK da TV Globo e retoma seu estilo melódico, pop e suingado. Aquele professor de guitarra de Samuel Rosa (Skank), fundador da banda Hanoi Hanoi, dá lugar ao excelente violonista, discípulo de João Gilberto, mas não abre mão do espírito do rock e dos solos de guitarra. Sua maneira de cantar é suave, suas harmonias fiéis à sofisticação da escola mineira da bossa nova e suas melodias inspiradas. Affonsinho esperou a hora certa de gravar o segundo disco autoral e contou com o auxílio luxuoso de um time de músicos e produtores penta-campeões, como Alberto Continentino, Marcelo Costa, Jessé Sadoc, Jorjão Barreto, Jota Moraes, Rick Ferreira, Sacha Amback, Duda Mello, Gauguin, Ronaldo Bastos, Leonel Pereda e a participação especialíssima de Sandra de Sá. Um desses raros discos que você pode tocar inteiro, sem pular faixas, e repetir muitas vezes sem se cansar, descobrindo, a cada audição, belezas renovadas em doses de prazer e encantamento".
sábado, junho 17, 2006
BEIJO EM VIDEO TAPE
CÉU DE HOLOGRAMA
NO CINEMA LAMBE O CHICABOM
CHIC BATUCADA SEGUE NA MOVIDA
MAS A VIDA FICA NO AR
DO LEBLON AO JAPÃO
POR DO SOL NO ARPOADOR
BEIRA MAR
NO CALÇADÃO A GALERA SURTA
TU E TUA MINA
VÃO POR IPANEMA
MESMA CENA, OUTRO DIRETOR
MAS AQUELE BEIJO TEM O MESMO GOSTO
PÃO DE AÇUCAR, SUCO DO BOM
CHICABOM, TEMPO BOM
BOSSA NOVA E ROCK'N ROLL
BEIRA MAR
OUTRO VERÃO E A GALERA SURFA
sexta-feira, junho 16, 2006
A música é mais que domínio de técnicas é sobretudo, a capacidade de expressar o sentimento, através de sons artisticamente combinados, e é isto que vemos em BELÊ, sobretudo, na música Vagalumes - que sensivelmente, Léo Minax, soube captar.
Affonsinho, com toda a sua sensibilidade, conhecimento aliado à sabedoria, fez desta melodia uma peça delicadíssima, após anos de prática neste exercício de elevada compreensão dos sons sob os efeitos das vibrações que aos poucos vão dando margem, caminho e diferenciando uma melodia da outra - nos mostra sua entrega e elevação com o Todo, porque a música é a expressão mais elevada entre os homens, do amor universal - nela encontramos o som dos pássaros, dos riachos, do sentimento mais puro e nobre que carregamos, assim, somos presenteados com o que poderíamos chamar de perfeição.
Falamos em perfeição, ao ver que este artista mineiro, que sempre se entregou aos estudos e aprimoramento musical, está conseguindo criar sons tão harmoniosos e suaves como os de clássicos como Schubert e Bach.
Tamanha comparação é possível, não só por vermos a cacofonia que se tornou a indústria da música nos últimos tempos - tendo toda uma tecnologia que artificialmente re-cria sons, melodias e re-fazem a voz do artista - tornando este mais um entre milhares; mas porque hoje, quase não existem artistas que compreendem a arte de compor, de trabalhar a música deste os acordes até a letra, que entende e acompanha todo o processo de criação, até com um certo tipo de perfeccionismo, para que tudo seja perfeito.
Talento criativo, artesanal como o de Affonsinho, é coisa rara. Compor melodias é mesmo uma arte que não se ensina. Então, vamos aproveitar e escutar muito o som do BELÊ e ao som de canções comoVagalumes, brincar de amar-e-linha, enquanto voamos pelos encantos da vida.
quinta-feira, junho 15, 2006
A OUTRA MARCA DO ZORRO
Naquele tempo quase todas as manhãs eram assim : papai acordava, começava suas atividades do dia e lá estava eu, do alto de meus cinco anos, tagarelando, sem pausa, atrás dele.
Me lembro que ele se levantava da cama e saboreávamos o café da manhã juntos. Em seguida tomava seu banho, passava o tradicional perfume, que até hoje faz com que nos lembremos dele e, só então, começava a se aprontar para o trabalho. Vestia primeiro a cueca, depois calçava as meias e os sapatos e, em seguida, colocava a camisa do terno (sempre com elegantes abotoaduras de ouro). O paletó, a calça e a gravata permaneciam no cabideiro aguardando, calmamente, a hora de serem chamados para a labuta.
Nesse meio tempo, entre nossas brincadeiras e a rua, que invariavelmente o levava de mim, meu pai sorria, dava instruções, falava alto ao telefone e planejava seu dia, sempre muito agitado.
Circulava com seu "uniforme" : camisa, cueca, meia e sapato, tranquilamente por nosso apartamento de Copacabana e acho que alguns vizinhos podiam até ter reparado, uma vez ou outra, aquele homem "calorento" passeando em sua casa sem maiores maldades, mas acredito que nem ligavam muito. No Rio de Janeiro, o excessivo calor, parece esfriar a cabeça das pessoas com relação a alguns falsos pudores e acredito que quase todos vivem mais à vontade.
Numa bela manhã de sol, uma cena, digna de cinema, acabaria marcando para sempre a vida de nossa família e de nossos vizinhos mais curiosos.
Um dia comum, igual aos outros : papai com seu uniforme e eu atrás, tagarelando . . . De repente, ao passarmos por um dos quartos onde meu irmão mais velho costumava dormir depois de suas noitadas, o chamado "escritório", onde ficava a biblioteca, eu e papai nos deparamos com um dos objetos mais emocionantes da casa, na visão de uma criança, é claro : uma enorme e fabulosa espada brilhante usada por ele nos antigos e elegantes desfiles da Polícia Militar de Minas Gerais. A espada tinha sido um presente de meu avô materno e era guardada com muito carinho.
Supliquei então a papai para que me mostrasse aquela maravilha brilhante e ele, com seu característico entusiasmo, tirou-a da bainha, foi até seu guarda-roupa e passou a mão numa velha casaca usada na festa de inauguração de Brasília. Pronto, já estava apto a realizar sua surpreendente transformação !
A partir daquele momento ele seria o melhor e mais fascinante Zorro do mundo e eu seria apenas o seu maior fã. Papai saiu pulando pelo apartamento de casaca, cueca, meia e sapato, empunhando aquela espada brilhante e atacando, sem dó, as centenas de inimigos que apreciam em nosso caminho.
Uma janela gigantesca cobria toda a frente do nosso primeiro andar, que dava para a movimentada Rua Constante Ramos. Do outro lado da rua, prédios se escoravam uns nos outros, bem ao estilo de Copacabana, e outras grandes janelas, cheias de vizinhos, faziam frente para a nossa sala.
Por um motivo extremamente importante, fomos parar exatamente sobre o chão de mármore que sustentava as janelas gigantes da sala. Papai tinha descoberto que os efeitos especiais que precisava para que o show fosse completo estavam todos ali. Cada vez que batia a espada contra o mármore do chão o impacto produzia fagulhas reluzentes que, para mim, mais pareciam raios de fogo, iguais aos avançados efeitos especiais dos filmes de hoje.
Meus olhos cresciam assustadoramente de tamanho enquanto os golpes desferidos contra aquele inimigo branco que cuspia fogo iam aumentando a intensidade. Meu pai, ou melhor, meu Zorro particular, gesticulava, pulava nas cadeiras da sala, gritava e atacava o chão numa coreografia digna de um Ballet Russo (ou seria Mexicano ?) até que em um de seus ágeis saltos se viu de frente para uma grande e vibrante platéia : dezenas de vizinhos dos prédios em frente assistiam ao espetáculo gratuito com toda atenção e acho que até torcendo para que o valente Zorro de Copacabana derrotasse o terrível vilão de mármore !
E então foi um baita susto ! Naquele momento meu pai voltou a ser adulto e se lembrou que já era um "senhor" de quase quarenta e nove anos de idade, pai de três filhos, ex chefe da Casa Militar do ex Governador de Minas Gerais, Dr. Juscelino Kubitscheck e também Sub Chefe da Casa Civil do mesmo JK, na Presidência da República.
E agora, José ? Agora não tinha mais jeito ! A única opção viável seria mesmo sair de fininho, deixar a vergonha pra lá e incluir, com o maior orgulho em seu currículum :
Atuou também como o maior e melhor Zorro do mundo, numa manhã qualquer de Copacabana, oferecendo lições de alegria aos vizinhos e deixando seu filho caçula, de cinco anos de idade, tatuado para o resto da vida, com a famosa marca do "Z", de - criança feliZ !!
quarta-feira, junho 14, 2006
É um prazer te escutar na Causa e Efeito, cara! (Você ainda jogou duro nos coros do refrão!... Coisa que eu não tinha conseguido - bem que eu tentei!... - na minha versão!). Emocionante!
A que eu mais gostei por enquanto é a primeira canção! É forte!!! Ritmo, letra, melodia... O disco já começa ali de um jeito maravilhoso! A canção me pegou ali de cara!!!!
Gosto muito do som do disco! Timbres muito bonitos!
Vou escutar mais e te falo melhor!... É só pra comunicar o meu orgulho e emoção!
Obrigado por me incluir na tua viagem, amigo!
(Gostaria de tentar fazer canções contigo!).
Um prazer!
Te desejo uma trajetória de bons e saborosos frutos com o BELÊ!!!
Abração!
Leo".
"Oi, Affonsinho!
Nossa, comprei finalmente seu disco e não paro de ouvir. Simplesmente maravilhoso!!!!!!!
Você cada vez mais envolvente, com a sua voz, a sua letra, e claro, a sua canção genial.
A produção está linda! A capa é divertidíssima - a sua cara, literalmente. As fotos do encarte, os músicos, nossa! Quanto capricho.
Amei, amei, amei.
Com certeza, mais um sucesso na tua vida. Você merece.
Beijos,
Malluh
12 06 2006"












